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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O aço do peito é feito de tudo em nós que pulsa.

Não consigo chamar de fragilidade a expectativa de quem ama. De quem, mesmo sem entender, se apaixona. Acho que frágil é quem constantemente boceja diante da vida, com seu tédio certeiro de saber-se sempre seguro e sensato. Eu nunca desejei segurança, eu sempre soube também que a calma não muito me queria. Fui talhada para os grandes desafios, para as montanhas russas que fazem gelar a espinha, e minha parte serena e frágil é apenas uma entrelinha nas minhas poesias.

Sim, eu gosto de ir me deitar e conservar ele bem firme no pensamento, no desejo, na cabeça, no coração, no corpo, seguro como nunca antes por entre os meus seios. Não me sinto nem um pouco frágil com isso. Sinto-me a mulher que redescobre em suas imaginações continentes esquecidos para alcançá-lo ainda no compasso de mais uma sintonia. Uma mulher capaz de voar para longe, e perder-se nesses braços dos quais todos os que me rodeiam desconfiam. A essência feminina que mora sedutora entre a meiguice e a coragem, entre a temeridade e a delicadeza. A menina dele, entornada de vinhos e absintos, e que apresenta a mulher, entre véus de dança do ventre, e espadas. A rosa presa de um pequeno príncipe, que viaja, vagueia e quase me esquece. E sou também ao mesmo tempo a criança voraz e mortífera, amada de Louis em uma entrevista com o vampiro.
Uma coisa de ouvir Camille dizer: "Mais qui est cet homme qui tombe de la tour ? Mais qui est cet homme qui tombe des cieux ? Mais qui est cet homme qui tombe amoureux ?" (...) E ter também dividindo espaço no peito, essa indagação constante sobre uma razão possível para isso tudo. Impossível... Apenas decido ir dormir pensando... em breve as pontes, as águas, cerejas e paisagens que imaginamos. Muito, muito em breve.

2 comentários:

Philosophie de la guérilla disse...

Mon dieu que c'est lâche
Que c'est fâcheux
Quelle tragédie, quel tracas
Mon dieu que c'est vache
Mon amoureux est reparti là-bas
Mon dieu que c'est triste
Il m'aimait si peu
Moi je l'aimais tant je crois
Mon dieu tu t'en fiches
Toi tu n'as d'yeux
Que pour une autre que moi
Même si le temps passe
Je n'oublie pas

La samba
La samba des jours avec toi
La samba des jours avec toi
La samba de mon coeur qui bat
La samba
La samba des jours avec toi
La samba des jours avec toi
La samba de mon coeur qui bat
Samba de mon coeur qui bat

Mon dieu que c'est moche
C'est ennuyeux
Tu t'es joué de moi
Mon dieu que c'est cloche
De se dire adieu
Et Paris est si froid
Mon dieu si tu existes même un peu
Ramène-moi
Mon aquarelliste
Si vaniteux
Qui ne peignait que moi
Même si le temps passe
Je n'oublie pas

Milena Magalhães disse...

adoro vir aqui! bebo as palavras como quem bebe algo agridoce! e depois fico embriagada... Saudade enorme!