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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

PISCA-ALERTA (escrito dia 06.dez, editado dia 07.dez. Ainda??? Oh, yeah.)

As portas estão começando a falar
e com suas artimanhas de papel eletrônico
apontam para meus olhos a arma, alardeando,
e ameaçam.
Tudo o que posso ver são as paredes desse castelo
estou em pleno vôo
e
ao mesmo tempo presa neste
navio de cristal eterno.
Você não sabe, mas
tão poucas palavras tuas quase possuem um aroma,
e talvez não haja mais um pisca-alerta para dizer
quando enfim aquelas noites acabarem,
ou se é que já acabaram...
Você acenando para mim
e eu, olhos atentos no farol.
As portas não desistem da mensagem impossível,
e dizem apenas:
"conviva com isso".

Além de ti não haverá outro
que nunca foi tão ausente, desnecessário e incerto
ao ponto de hoje ainda
ser tão presente, preciso e
afeto.

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