
O código emocionado com o qual a vida
me recomenda melhores maneiras, informa:
é hora de ficar.
E quem sabe abandonar de vez
alguns dos fogos de outrora,
alguns dos ventos que só trazem piora,
um pouco de alguma fé perdida e, talvez
lembrar um pouco de quando fui querida
de quando quase todos eles quiseram estar
soltos no meio dos cachos escuros que tanto
tentei negar...
E eu tecerei umas tramas irreais...
como a mãe que nunca teve filhos,
como os filhos que nunca viram os pais,
uma trama
de maldade com esses cabelos,
uma maldade de acreditar mais uma vez
derradeira
em tudo,
tudo que veio de um vento uivante
mal resolvido e diletante apenas o suficiente
para ter me prendido tanto tempo...
E mergulhada nessa sombra e nessa névoa
do nada de saber que nada é mesmo importante
sentir o alívio de umas mãos impessoais
sobrevoando de carícias a voz que só aqui eu tive,
a voz que só a poesia manteve
ao longo de todos esses
inevitáveis 30 anos...
Pelo menos sobrevivi.
E tenho o mesmo tanto de memória e esquecimento
necessários para re-inventare
esse mesmo código válido para cada um
dos meus permanentes segredos.
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