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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sábado, 10 de julho de 2010

Skycodes half-truths (não acho que ficou um bom texto, mas enfim.)

Shhhhh. Eu tenho uma forma secreta de ser eu mesma.
Um emaranhado de incongruências,
um despertar às avessas, onde acordo para dentro,
e respiro o sono profundo de cada dependência,
os múltiplos pequenos vícios
que juntos, formam um terrível grau de liberdade.
Sim, porque o desespero de um cancela o outro,
e acabo então por ser a dependente mais livre do mundo.
Explicando, eu dependo do seus olhos,
mas meu vício de imaginar
me faz conseguir gostar mais dos seus olhos meus imaginários,
os seus olhos que eu imagino,
do que os seus olhos de verdade, na realidade,
isso é, sequer, se você de fato existe.
Sim, porque existe antes de ti, o meu vício em criar pessoas.
Por isso nunca precisei de religião, sim, eu já tenho
meus próprios amigos e inimigos imaginários.
E a consequência é esse outro vício de falta de fé,
que casa e cancela exatamente o vício de acreditar demais,
de esperar demais de tudo e todos,
porque existe em mim também a mania da descrença...
Então, a secreta forma de ser eu mesma, é justamente não ser nenhuma
não ser apenas uma
isso é, sequer, se eu existo.

2 comentários:

Mikaele Ephemeron disse...

adorei, muito bom o blog? vamos seguir?

Ludmila Pinheiro Alves disse...

Me identifiquei com o seu "relato" de ter essa duvida ou não, de ser quem é ou quem gostaria de ser ou talvez o que aparenta e apresenta pro mundo ....
To seguindo você, e tenho um texto que lembra um pouco o seu chamado Atriz. Le? *_* pra ver se eu não entendi errado o seu. ts