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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Criminal

Nas duas últimas madrugadas
sobrevoei muitas certezas,
pena que... todas ambíguas e efêmeras.
O vício em te ver nos meus olhos,
as facadas, as distâncias,
o insaciável aprender de afogamentos.
Tive a impressão de que poderia descrever o universo
apenas enquanto secava o vapor do seu copo.
E agora veja como eu redecorei o meu quarto:
um espaço vazio destinado a não mais ser preenchido
após a tua tão iminente ausência.
Me despeço, sem bilhetes na mesa
ou lenço branco ao vento.
Não quero que tenhas gravado no tempo
qualquer lembrança minha
cuja imagem
não seja branca de luz e nua.


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