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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

No lago.

Hoje estou cheia de dor.
E a alma dançando valsas sobre agulhas esparramadas.
Um corte sob a pálpebra esquerda,
que faz sangrar o coração em um pedaço alado de poema,
de mentira,
eu nunca consigo parar com a mentira,
e a voz que fica rouca e flácida
toda vez que ele me liga.

Meus demônios continuam por hora
mais assustados que eu, tentam dormir adestrando
minhas expectativas,
mas acordam do absurdo de serem sempre os mesmos,
ainda que nunca
tenham evidenciado a constância.
Como eu, continuam sem saber
o que fazer
quando não
mentir.

2 comentários:

Cácian.Castro disse...

Ótimo desabafo, estava precisando disso!
RSRSRS...

UM abraço,
Cácian Castro

Fred Caju disse...

O título do seu blog é chamativo, mas o conteúdo dele não deixa por menos: deixa a vontade de sair lendo o histórico inteiro.