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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

terça-feira, 29 de abril de 2008

Desabafo. Lugar-comum, mas necessário.

Cansei de doar amor a quem não precisa. Se a pessoa está assim, tão certa da própria auto-suficiência, então que seja, ora bolas. Vai ser feliz sozinha, não é mesmo?
Acontece que os olhos dos malandros lacrimejam sempre diante de um público atento como eu. E me obrigam a crer nas encenações costumeiras, das quais já me encontro tão cansada. Minhas gengivas chegam a sangrar de raiva. E é por isso que eu vou mudar minha vida. Sim, do mesmo jeitinho que os livros de auto-ajuda ensinam. Vou usar as intempéries emocionais para fortificar ainda mais minha fortaleza. Quero ver na hora que eu estiver botando pra quebrar se você não vai voltar rastejando feito um verme que escapuliu do vaso sanitário. Mas por favor, quando esse dia chegar, vê se finge que não me conhece. Não tenho mais a mínima disposição de agachar só para cumprimentar mosquitos esmagados.

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