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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Pure Morning.

Acho que me esqueci dos trapos. Sim, nossa, como eu pude. Deixei seus farrapos aqui, agarrados à cômoda perto da cama. Céus, que descuido. Pensando bem, cheira aqui. Tá vendo? Foram seus cabelos friccionando fronha a noite toda. Saco. Ah não, não venha me falar que ainda tem suor seu dentro do meu pijama. Merda, merda completa. Assim não vai dar.

Olha o estado dos meus cabelos também. Suas mãos só sabem despentear e sair andando, não é mesmo? Um arranhão na coxa, uma mordida nos seios e você já está virando a esquina. De novo, como ares de quem não sabe nem sequer se de fato teme aquilo que mais desconhece. Por que você não se permite descortinar esse abismo? Age como se fosse assim mesmo, tão desagradável... Mas sabe que tuas incostâncias me deliciam. Sabe que eu não sei mais como respirar sem que seu perfume esteja numa porcentagem mais elevada que a do oxigênio ao meu redor. E eu sou falha em te querer assim. Você não deveria saber da minha dependência. É como se a cocaína conhecesse a falta que faz ao seu dono. E ela, lá de dentro do papelote, pudesse olhar dentro dos olhos dele e dizer: sim, me consuma. Quanto mais de mim você tiver, menos vai ter. E mais vai querer. Sim, ponha logo o seu nariz aqui, bem aqui na minha seiva. E antes que eu vá completamente embora, declare o tanto que me ama derramando sua vida bem assim, diante da minha pobre imponência.

Sim, é isso. Você é a droga me olhando de dentro do envelope. E eu sou o vexame. Derramando-me pelas pernas adentro, junto com o sêmem que você me recusa, fazendo um aborto de você em mim. Meu deus, preciso entender seu sangue. Todo esse amor para mim não passa de falsa causa.

2 comentários:

Ana disse...

Somos dois vexames Lú. Eu já assumí meu vicío, pago o preço por isso, quero dizer que vou deixá-lo, mas qualquer pensamento desse tipo me trava as pernas e pára o coração. Eu sou um grande vexame.

Zilmara Dahn disse...

Lu querida...

esse texto faz a pessoa chorar de morder a mão. Pena que a Amy não entende português. Senão musicava e já virava hit.Já pensou? Transformar o vexame em libras?

Bjimmmm