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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Everything is free, now.

Sou o fantoche dessas horas sem sono.
Uma piada muito
muito bem contada.
Estranho. Embora ainda haja dor
não sinto mais nada. Estou ficando
cada
cada vez mais alheia.
Absurdo. Mas a vida importa pouco
quando se vive de verdade.

E agora admiro palavras cada
cada vez mais antigas,
uma espécie de calabouço de sensações
inventivas
forças
de uma parede que sobe
entre mim e o mundo.
Mas eis que surgem mãos doloridas.
Não posso mais escrever quando deito minha
cabeça na cama.
Ninguém pode cantar mais por mim
se tudo agora não passa
passa
de um sonho ilustre que virou zombaria.

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