Minha foto
"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Mesmo não muito certa, tenho que te tentar.
Tentar você, entende? Pular aquela grade branca de alumínio que separa tua inteligência da minha, tua proteção tão falha de espelhinho retrovisor embaçado de garoa. Não gosto tanto de você assim, não vá achando. Mas quando mais precisamos não tem sempre quem diz que são mesmo os duendes que atendem nossos pedidos mais secretos? Pois então, estou pedindo.
Pedindo pra deitar sob você debaixo de uma noite sem bebida para que eu acorde somente quando a gente perceber que ainda não tem coragem nem tempo suficiente pra sair assim, pelo mundo, gostando como se o inconsciente não existisse e nós dois não fôssemos mais concorrentes na mesma cadeia alimentar.
Você faz cinema. Eu só enceno. Mas nós dois somos dois dramas. Você e sua mulher de abandono, eu e meus homens de aceno.
Cuidado, querido, estamos no meio dos oceanos das saudades. Nâo vá se lembrar de mim naquele robe preto e cinta-liga, que você ainda não dá conta de mim. Você sabe. Não completamente. Apesar de que meu desejo range os dentes quando sua pele chega perto o suficiente pra eu saber a bobagem que faço deixando você me levar bêbado na sua moto com o dia amanhecendo. Mas valeu a pena a cicatriz que me fica pra levar de souvenir pra vida. Sabe que, quando eu estiver namorando outra pessoa, vou ter que inventar uma história pra encobrir essa marca. Ficou bem na perna direita. E você eses dias já não me sai de novo do pensamento.

Espero que você nunca leia essa mensagem. Pois não é pra você, é pra mim mesma saber, o tanto que evitar gostar é já estar gostando. Desde... aquela noite de cafés e renascimentos ao som de obras inacabadas pelas palavras ditas em excesso.

Ah, foda-se. Por favor, apenas diga sim hoje à noite.
(I can't take my mind off of you)

4 comentários:

Anônimo disse...

muitas vezes, quando estou um tanto agoniada ou algo como a um passo para a mediocridade, acabo vindo para cá... sentar nesse sofá de bolhas, tomar chá verde e tragar suas palavras. você é muito mulher escrevendo. talvez seja por isso que, para mim, é tão confortável te ler. sabe... tenho a maldita mania de paixonites por homens inteligentes, e eles têm o poder de fazer eu me sentir patética quando expresso algum tipo de afeto. mas, enquanto neles a inteligência engole a sensibilidade em nós mulheres alimenta... e eles parecem desprezar isso, o pior é que acabam quase me convencendo de que têm razão. eis que venho aqui, em seu blog, e de repente pareço fazer mais sentido.

Carola disse...

parece q vc adivinhou os ultimos acontecimentos da minha vida.... mas é tão cáustico que o meu pequeno virginiano protestaria imediatamente: "vc acha que me conhece!"

ha ha ha!!! e ele acha que eu não conheço! ;)

excelente!!! lindo!!!

bjs!

Kill Helena disse...

de fato, faz muito sentido pra mim...
tanto minha última frase, quanto todo o seu texto.

Milena Magalhães disse...

Lu, isto não é vida; é literatura pura; daquelas quem embrulam o estômigo, as forma, o certo, o errado... Lu, esta dor implacavel de todos os dias!!!
Beijo de vontade de te ver!

Bom niver e boa sorte!