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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

De Bardo e de Belle.

Eu já não sei mais quando ou onde
me tornei, simultânea, essa mulher
de outrora
e de adiante.
Uma mulher que vive a perigo não deve,
não
não deve
entregar seus olhos assim,
por mero e corriqueiro acidente.
Uma mulher que vive
como se carregasse uma fogueira inconsciente acesa
sob cada
recanto de pele, deve
falar devagar, vestir-se breve e
chorar de fome.
Eu
não consigo.
Choro sim, mas choro muito mais quando a fome some.
Sinto falta de sentir
a ausência
inerente que existe em cada coisa,
e quero consumir pessoas
como se cada uma fosse a cerimônia secreta pela qual
a minha falta de fé tanto espera.

Sinto-me
como a chama que se apaga por último
entre as águas pantanosas e distantes
de um feérico funeral vicking.

2 comentários:

Milena Magalhães disse...

Lu, tvz porque o ser não tem nenhum comando. tvz porque a lagrima sempre cai por mais que a gente tente impedir; talvez porque escrever é mais importante; talvez porque a noite sempre tem um filete de sangue.

Lu,

vc sabe que adoro teus textos; sempre.

onomatopoepic disse...

adoro pizza requentada ( ou mesmo sem requentar ) e vinho.

:)