E aquela toda paralisia de sempre, e toda a neurose que me diz sempre: "fala, fala, fala agora" e eu me recuso, me recuso porque sei que podem existir coisas melhores, mas somente aquela voz num telefonema aflito de um fim de tarde é realmente capaz de me salvar do inferno.
E toda aquela bobagem de "vamos ficar juntos pra sempre", toda gente sabe que o tal "pra sempre" é mesmo somente uma soma de mais dias infelizes do que felizes, e tudo isso dentro de um balde imenso de receios e inseguranças falsamente derrotados porque, na verdade, todo ser humano é incapaz de amar sem medo.
Mas no meio daquilo tudo eu constantemente me lembro de outro ele, ele para quem a liberdade não é apenas uma idéia político-social presa nas teses de doutorado vencidas, ou sequer é apenas um conceito filosófico arriscado dentro do discurso de algum pensador infeliz preso em suas próprias barbas.
A liberdade para nós dois dói tanto quanto o amor para eles, mas do mesmo modo que eles fazem tudo por esse bocado de dor alentadora, nós também corremos atrás da falta de espelhos limitantes e fugimos do terrível risco constante que é passar a querer realizar o sonhos dos outros.
Longe de todos eles, eu sei que sua liberdade está aí, e essa pessoa que agora me condena à uma paralisia estéril, ainda assim, me toma nas mãos toda manhã, e mesmo eu sendo amante da fuga como sou, não tenho andado mais que dois passos quando me vejo longe daqueles olhos verdes e das pintinhas coloridas nos ombros e nos braços.
Olho para uma manhã como essa que não me diz nada, e por mais que eu queira partir, tudo o que penso é em como poder ficar.
Um comentário:
sim, seria bom poder partir
e ainda assim continuar a amar
e continuar sendo amada.
lu, tudo q vc deseja neste novo ano, é o que desejo.
beijo de saudade.
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