O que me moverá vai ser a saudade.
Sempre imóvel, irreversível.
A imagem daquele você, que sabem os deuses,
não sei se ainda existe.
Aquele. Talvez você vai lembrar quando já for tarde,
e não houver mais tão pouca luz.
Excesso de luz sempre me fez enxergar mal, muito mal.
Talvez por isso eu te ame,
pela pouca luz que você irradia.
Intocável, intransferível.
O que me moverá
será sempre a inevitabilidade,
a razão torta de ser o que se sente,
sem sentir o que se é.
A falta do toque,
ou o toque excessivo, aquele que não se devia tocar,
aquele.
Talvez você se lembre quando as mãos não existirem mais.
Excesso de toque sempre me atrapalhou a sentir.
E ver o que se sente é impossível: eu tinha que falar.
Talvez você saiba o que eu disse
apenas naquele instante,
aquele raro,
em que eu me calo.
Talvez você discorde.
E deve por isso que te amo tanto,
porque você nunca está de acordo,
e nós dois, quem sabe nunca estivemos acordados.
Estar desperta,
sempre me faz viver de menos.
E se é por causa disso os sonhos,
talvez você só perceba que sonhei contigo
quando você acordar perdido
em meio aos ventos.
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