Sei lá, to precisando conversar. Sim, coisa mais banal, não é? Mas enfim, falar com a pessoa que não tenha preconceito contra o que sou, contra o que eu nunca contei que eu sou. Eu sei que não haverá abandono, dependendo da pessoa. O espaço virtual há muito deixou de ser um lugar pra mim onde eu pudesse alcançar pessoas. Mas a minha carga de escrever é um braço daqueles mecânicos e com defeito, e enquanto eu consigo me conter ele se descontrola e apela: preciso de atenção meticulosa, como a de um legista.
E ah, hoje, além de algumas descobertas pessoais incríveis (sim, incríveis mesmo) eu lembrei (aliás, disso eu me lembrei ontem, mas já era quase meia-noite então enfim, conta como hoje) pois então, eu lembrei que já tinha escrito um livro. Então, ta aqui um poema que faz parte dele.
EM MINHA HOMENAGEM
QUEBRARAM TODAS AS CADEIRAS
DEMOLIRAM CIDADES COM SUAS PRAÇAS INTEIRAS
CONSTRUIRAM BARCOS DE PAPEL
ARROMBARAM CASAS
QUEIMARAM OS DEDOS COM CERA DE VELA
ROUBARAM DINHEIRO DE MENINAS INDEFESAS
TRANCARAM VESTÍGIOS EM FORTALEZAS
CHORARAM
INVENTARAM SOBREMESAS
COMPUSERAM TEMAS DE NOVELA
ARRANHARAM COSTAS MASCULINAS
FORAM EMBORA MAIS CEDO DO CINEMA.
MAS EU NÃO, NADA FIZ.
ELES JÁ ESTAVAM RECONSTRUINDO CALOS NAS VEIAS
E EU CONTINUEI AQUI.
DEVORANDO PAPÉIS RABISCADOS,
ME CANSANDO COM OS MOSQUITOS,
VIVENDO DE MORRER TODO DIA.
CORROMPENDO PALAVRAS,
REDECORANDO MENTIRAS.
ELES ESTÃO VENDENDO ESPAÇOS.
EU ESTOU SOMENTE CONTIDA NO VENTO.
INOMINÁVEL.
(desculpe qualquer erro de digitação, estou com pressa)
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