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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Abandono no recreio escolar

Estou tentando inventar
um jeito novo de vulnerabilidade,
talvez matando afogados os gênios da tua ausência
que sempre recriam em mim as dependências
em tantas outras formas nunca antes vistas,
tantas outras maneiras criativas
de não ser
sempre aquela com a qual sonha a criança
vestindo as roupas da mãe em frente ao espelho.

A sinceridade pode ser tão cruel,
que muitas vezes forjar é
simplesmente...
mais simples.
Por isso a vulnerabilidade de ser,
ainda que pequena,
fatal apenas nos poemas, mas nao,
você nunca vai descortinar meus devaneios.
Sou uma Alice qualquer,
mas do gato eu como a cabeça,
em vez do chá tomo vermuth e cerveja,
e pouco quero saber se cresço ou diminuo,
o que jamais se cansa em mim
é a aspereza.

Estou tentando inventar
um novo estilo de delicadeza,
algo como um bisturi virgem,
um tiro dado por dedinhos de seis anos,
um estupro involuntário,
uma homenagem fora de hora,
alguma... barbaridade sutil.

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