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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Com quantos quilos de distância se faz um casamento?

Se eu tivsse de dizer algo a Cinderela, eu diria
para ela comprar sapatos novos antes de subir a minha escadaria.
Por onde eu tenho andado tudo é baixo demais para salto alto,
tudo é pobre demais para sonhos distantes,
tudo é seco demais para lágrimas fora de hora
mas tudo é tórrido também demais o suficiente
para que eu ainda permaneça.
E eu cresço os olhos sobre mim mesma,
e vou desenhando delirantemente essa morte simples
(por ser diária, e por ser tão diminuta...)
e eu vou então traçando essas pequenas rodas da fortuna,
mas... meu prêmio nunca há
de chegar,
porque quando se vive de intensidades
o que realmente importa não é sair carregando nas mãos
o arco dourado.
É saber acertar bem no olho de quem se ama
a derradeira flecha que não fere,
antes de partir.

Existe um abismo entre nós
desde o início
mas que somente o próprio começo em si
era capaz de transpor,
ultrapassar, ou
fazer sumir.

2 comentários:

Geraldo Brito (Dado) disse...

Orginal.
Saudações e parabéns pelo blog!

Denise disse...

"É saber acertar bem no olho de quem se ama
a derradeira flecha que não fere,
antes de partir."

Adorei essa parte! E o blog também :)