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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Esperando.


No meio de quase todas as inconsequências encontro-me absorta.
Não consigo lembrar de tomar as vitaminas.
E não posso mais reclamar dos incapacitados. Tornei-me uma deles,
entrei para o bando,
cortei os cabelos, cumpri parte da rotina, emagreci os planos e...
quando eu vi já era tarde.
Consequência nenhuma mais queria falar comigo.
Todas ficaram acesas diante da luz da sala
fingindo assistir o filme imbecil da adolescência
e implicando com a localidade nova
dos sofás e da mobília de panos cheia de formigas.
E é tanta coisa que eu poderia ter feito,
tanta
mas tanta centelha que eu nunca
nunca deveria ter alimentado,

que agora não vai importar mais que eu tenha
matado os insetos todos, comido os restos todos
sem reclamar,
sonhado menos ou alcançado mais baixo.
Tudo o que vai valer agora, ou como sempre,
infelizmente
unicamente
são as verdades tão aparentes e enganadoras
que eu
simplesmente... acreditei deixar de fora.


A musa mente contando verdades,
e é sincera
absolutamente sincera

iludindo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom, muito bom mesmo. Eu queria fazer uma crítica inteligente, mas acho que vou deixar pra outra hora.

"A musa mente contando verdades,
e é sincera
absolutamente sincera

iludindo."

Faíscas que pareciam (e eram) só faíscas no começo.

A verdade, um copo d'água no rosto (sua forma mais suave).

E a verdade, dessa vez a verdade da musa. Que é sincera iludindo.

Muito bom.