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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O sonho
isso foi uma promessa não sentida.
Não medida até seu fundo
e calado poço de possibilidades.
Teus olhos, o banho
a chuva de você que me recolhe,
e gelada eu espreito
porque quanto mais água tua eu bebo
mais secamente eu me penetro.
A frase
era pra ser de efeito
mas quando muito se espera
o possível se torna tão pontiagudo
que se transforma em permanência.
Ainda que elástica... e vaga.
Consumida como o ânimo de quem agora desiste.
O sono

não era para ser de espera.

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