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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

domingo, 26 de dezembro de 2010

pequenas palavras sobre os ombros distantes

Cansada demais para dizer que ainda existo,
laconicamente eu persisto
castigada pelo vento constante
consentindo cada dia mais claramente que não faço parte,
sou a aranha indesejada sobre a parede pintada de amarelo
na sala de um lugar-comum qualquer.
Perseguem-me sempre, chinelos na mão,
disposição de sobra para eliminar a inútil porém incômoda presença
mas eu persisto
e silenciosa sigo tecendo a trama
que engole os demais insetos e pensamentos,
não vão me eliminar.

E há
uma dessas minhas incompreensíveis teias
sobre os teus olhos. Nos alcançamos, mesmo na distância
e por fim, a tela fina que projeto contra tudo e todas as muralhas
nada mais é
do que retalhos da mortalha com a qual um dia
cobrirei meus caminhos para estar contida
no derradeiro instante de
qualquer um dos teus devaneios.

Um comentário:

Fred Caju disse...

Lucianne,

Feliz Natal atrasado e feliz 2011 antecipado!

Gostaria de ter mais tempo para me perder/encontrar nas postagens daqui, mas por hora passo 'apenas' para lhe desejar felicidades. Depois volto como leitor faminto.

Abraços,
Caju.