Na noite em que eu me entreguei
nosso amor pulou a janela,
toda a tua agressividade
e o meu cansaço da espera,
mas como fazer se ainda são aqueles beijos do mercado
com os quais eu sonho antes de fechar meus olhos pra dormir,
como fazer se mesmo que outro ainda me faça sorrir
são as nossas músicas que eu escuto quando me invado
e tento dividir intimidades com estranhos
em mesas vazias onde eu nada mais sou
do que um reflexo pálido
de tudo que tentamos ser,
juntos.
E onde nossas mãos cruzadas foram parar,
naquele dia no mar, talvez,
onde você disse que eu nunca ia precisar
ter medo de me afogar
enquanto você estivesse por perto...
e agora, só de lembrar dos teus olhos se congelando eu já me afogo
porque afinal nunca sabemos
quando vai ser o último dia
até que o último dia aconteça.
Eu sei que nos meus abismos de agora já é tarde demais para voltar,
mas como eu gostaria
que aquela onda batesse de novo
carregando todas as brigas inúteis, os afastamentos idiotas,
as dúvidas venenosas, as mágoas tatuadas nessa minha alma que
destruída por si mesma
guarda de bom ainda apenas o vislumbre
de talvez voltar a ser sua morada um dia.
2 comentários:
Há sempre a chance de uma última dança.
Um coiote a espreita... navalha, sêmen e balbucio na roda-gigante.
Postar um comentário