É, acho que os blogs servem, em geral, para isso mesmo: despejo emocional.
Por muito tempo eu tentei que esse blog fosse algo especial e poeticamente representativo, traindo as minhas próprias convicções, uma vez que, é claro, foi eu mesmo quem o intitulou de "um passo para a mediocridade".
Mas aceitar a mediocridade é difícil, sobretudo a própria.
Então, reabro essa nova temporada de tentativas poéticas com um texto nada pretensiosamente profundo ou simbólico, simplesmente preciso falar alguma coisa, claro, afinal, estamos como em um daqueles encontros em restaurante que depois de cada um escolher o que vai pedir e o vinho chegar, e é óbvio que já se comentou sobre o tempo, fica aquele silêncio que dura meses, deveras desconfortável, e no caso aqui presente, o silêncio amarelo-sorridente tem durado quase 7 meses.
Estaria a nossa relação também em crise? Enfim.
Bom, só gostaria de dizer que hoje sim, fui finalmente obrigada a admitir que sim, sou mesmo fumante, não eventual, e sim, sou viciada na porra do cigarro. Mas tudo nele é legal (foda-se quem não acha). Afinal, quem não acha muito provavelmente não tem um instinto autodestrutivo que alimenta sua criatividade e menos provavelmente ainda morou sozinho, passou por lutos consecutivos e/ou conviveu em meios dito "artístico-filosóficos" nos quais fumar é quase uma prova cabal de mente pensante e óbvio, inteligente.
Genteeeeee...eu sei que nada disso justifica, mas pelo amor dos deuses, eu saí quase 1h da manhã, a pé e descabelada, a procura de cigarro, e ainda por cima, nenhum lugar perto da minha casa que estava aberto ainda vendia cigarro (maldita lei anti-fumo do caralho) e tive de andar pacas, isso cansada e aguentando engraçadinhos buzinando pelo caminho. Chato, chato, muito chato. Foi tão chato que pensei: caralho, sou mesmo viciada. Mas foi bom admitir porque, no fim das contas, comprei gloriosos dois maços, e um vai ficar fechado dentro da gaveta do lado da cama para eu nunca mais ter de passar uma madrugada dessas.
Óbvio: parar de fumar também me libertaria de tal "martírio" (óh, coitadinha...) mas se podemos complicar e criar justificativas estapafúrdias para nossos atos inúteis, por que não??? É sempre tão mais agradável ser do contra. Enfim. Reabro essa temporada de supostos poemas com um mero e simples desabafo.
E ah, andar de madrugada sozinha pela rua tem lá suas vantagens. Ainda mais quando se está tensa. Você fica mais atenta e observa coisas que durante o dia, ou não acontecem ou sequer são notadas com facilidade. Tipo uma prostituta saindo com cara de escárnio do carro de um cara com cara de pateta, e os dois olharam para mim, ela com um sorriso cúmplice para os meus dois maços, e ele com um patético ar de suposto safado, como se ainda fosse dar conta de tudo de novo depois do programa feito. Gostei dela. Mas não tive coragem de oferecer cigarros. Calma, eu desde de 2007, só consegui assumir agora que sou fumante mesmo, não dá pra no mesmo dia ainda admitir que tenho uma atração irrevogável pelo sórdido, peraí, essa eu revelo no próximo texto/balela/pseudo-confissão/chatice/encheção de linguiça.
Sejam bem vindos de novo, quem quer que seja. O blog continua sendo "Um passo para a Mediocridade" mas a gente, querido, provavelmente estamos nela há tempo. Um beijo carinhoso de quem sempre te ama, xxx.
Ps.: vê se posta alguma porra de comentário, poxa. não literalmente, please.
Um comentário:
Ainda bem que foi quebrado esse silêncio-amarelo-sorridente :)
Saudades de seus escritos, ótimo reler seus textos!!!!
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