A coisa do amar consiste em um certo abandono de suas próprias intenções, inicialmente apenas um jogo, em questão de poucos segundos entre as palavras certas e mãos firmes, o desejo percorre uma rota alternativa entre o cérebro e o resto do corpo e vai se alojar no espaço que pulsa entre as costelas, mais pro lado esquerdo que o direito, e de repente outras imagens, e já nesses todos instantes deixamos de ter aquilo que éramos entre as mãos; o decidido se torna poeira.
Livre de pensar passei a sentir. Com quantas mãos e um tubo de pomada gelol se faz uma paixão repentina? Café da manhã em meio a malas? Uma capa de chuva pra quando não chove, mas quando faz frio entre paredes sujas e gengibre ainda arde garganta afora. Sim, tem um caminho diferente sendo traçado pela abertura do peito. Ah, meu coração é uma asa delta partida mas que ainda voa carregando de dois em dois, pessoas capazes de mostrar que a amizade é a melhor forma de se atingir o pleno sem precisar de idealizar-se.
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