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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sábado, 1 de agosto de 2009

You know I should be that real


A coisa do amar consiste em um certo abandono de suas próprias intenções, inicialmente apenas um jogo, em questão de poucos segundos entre as palavras certas e mãos firmes, o desejo percorre uma rota alternativa entre o cérebro e o resto do corpo e vai se alojar no espaço que pulsa entre as costelas, mais pro lado esquerdo que o direito, e de repente outras imagens, e já nesses todos instantes deixamos de ter aquilo que éramos entre as mãos; o decidido se torna poeira.

Livre de pensar passei a sentir. Com quantas mãos e um tubo de pomada gelol se faz uma paixão repentina? Café da manhã em meio a malas? Uma capa de chuva pra quando não chove, mas quando faz frio entre paredes sujas e gengibre ainda arde garganta afora. Sim, tem um caminho diferente sendo traçado pela abertura do peito. Ah, meu coração é uma asa delta partida mas que ainda voa carregando de dois em dois, pessoas capazes de mostrar que a amizade é a melhor forma de se atingir o pleno sem precisar de idealizar-se.

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