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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

domingo, 18 de abril de 2010

You're gone (?)

Posso estar
simulando um ataque cardíaco.
Mas eu só tenho mesmo
o tempo dessa palavra
a confissão de ter ainda
um sonho de você na varanda,
nu, recuperando-se
de uma madrugada passada
em meio aos ventos.
Toda vez que falo contigo, é isso:
uma madrugada em meio aos ventos.
E será que seria errado pensar
em você ainda dessa maneira,
pensar em você pensando em besteira,
lembrar do teu cheiro e lembrar que
esse calor não era apenas.
É falar com você que meus tempos
se incendeiam. Porque meus ares
pegam mais fogo que os meus sentimentos
e eu sempre te quis.
Desde a imagem fugidia que eu tinha.
Sempre te quis,
e ainda necessito do seu
"confia em mim"
para dormir sossegada.
Será que você se lembra?

Amo tanto a liberdade que
tudo o que eu precisava agora
era de ti para conversar essas
amenidades,
tão penosas,
do ser livre. Mas não sê-lo
justamente porque
se deseja tanto...

Eu tenho
um problema com lógicas.
O óbvio pra mim,
nunca é ululante.

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