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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Os cachos dela. Ou os meus.

Me agarro aos cabelos
desesperadamente
Quero ser aquela
aquela para quem nunca
cai o pano
Está sempre em pronto
está sempre em cena
cai a luz do semáforo
e ela já salta na esquina
Reinicia o espetáculo
e transforma-se, muda de vida,
violenta, virulenta, absurda
Ela acredita e faz com que todos
sempre a vejam como
a indestrutível mesma
E nunca range, sempre rompe
mas nunca rasga
Ela acha
sentido em todas as palavras se são
bonitas.
Arranco os meus, e coloco os dela
seus cachos escuros são mais fortes que eu.
Olho no espelho e estou
finalmente pronta:
mas...

A alma se desmancha.
Ela não sou eu quando eu acho e ela não acha
sentido apenas
nas atitudes perdidas.
Promessas sem causa.
Mas já novamente e antes nunca
tanto com seus cachos,
penduro neles toda a fuga da torre,
e nos quero agora tudo em tatuagens.

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