INEVITÁVEL MITO
Algo em ti me escapa.
Não sei o que se acomoda sobre meus ombros
quando me tocas.
Quero a lágrima oculta,
aquela que sai das entranhadas mentiras,
falácia de ninfa
que meu desejo conta...
mas eu paro
e corto tua fonte desse brilho tão escuro,
sofro pela cicatriz que me fica,
arrebento minhas arestas tentando conter
essa respiração que acelera
tão estupidamente...
Adio a morte orgástica inevitável,
não cedendo minha boca aberta
a não ser pelo toque fugidio das línguas
minhas e tuas,
que compram fogos, larvas e demências
sem sequer imaginar
como pagaremos por essas vidas.
Contudo, tentarei de novo transformar-te.
Buscar-te, conter a ti na soltura.
Ainda tenho a fome e a sede
de um ventre pagão da Antigüidade.
6 comentários:
Como seríamos vazios se não nos restasse tanta busca pelo que o outro esconde.
Esse jogo, que crianças chamam de esconde-esconde, os adultos fazem com dores, com amores.
E de esconder-mostrar a gente tenta descobrir o ponto certo pra descermos, aterrizarmos na vida de alguém sem que o pé pise falso, sem que a sandália arrebente, sem que entre terra nos dedos.
POema belo, belo.
Beijos, querida!
"É coisa de poeta navagar na contra-mão".
Poema bem construído.
Beijo.
Cássio Amaral
O poema esta no lugar errado... rs... rs... ele não é nem um pouco mediocre... rs..
parabéns
Oi moça, perdoe a invasão, fui procurar um recado meu e vi o seu pro Felipe. Não resisti, vim aqui fuçar.
Ótimos poemas e textos, gostei mesmo.
Muito doídos...
Um abraço,
Karin
É toda essa tua autoridade que me destruiu aquela noite de vinho e palavras...
Creio em ti.
Rodrigo Braga: Olá Luciane td bem?
Mais uma vez lhe dou meus parabéns pelos seus poemas!!!
Visceral como sempre, eu adorei um certo quê de melancolia e revolta feminina pondo lirismo e entranhas entrelaçadas para fora, dando para o espaço a liberdade de seu grito. Parabéns mesmo!!!
Bjs.
Braga.
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