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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

domingo, 23 de março de 2008

Pela ocasião dos prazeres ou...

INEVITÁVEL MITO

Algo em ti me escapa.
Não sei o que se acomoda sobre meus ombros
quando me tocas.
Quero a lágrima oculta,
aquela que sai das entranhadas mentiras,
falácia de ninfa
que meu desejo conta...
mas eu paro
e corto tua fonte desse brilho tão escuro,
sofro pela cicatriz que me fica,
arrebento minhas arestas tentando conter
essa respiração que acelera
tão estupidamente...
Adio a morte orgástica inevitável,
não cedendo minha boca aberta
a não ser pelo toque fugidio das línguas
minhas e tuas,
que compram fogos, larvas e demências
sem sequer imaginar
como pagaremos por essas vidas.

Contudo, tentarei de novo transformar-te.
Buscar-te, conter a ti na soltura.
Ainda tenho a fome e a sede
de um ventre pagão da Antigüidade.

6 comentários:

Samantha Abreu disse...

Como seríamos vazios se não nos restasse tanta busca pelo que o outro esconde.
Esse jogo, que crianças chamam de esconde-esconde, os adultos fazem com dores, com amores.
E de esconder-mostrar a gente tenta descobrir o ponto certo pra descermos, aterrizarmos na vida de alguém sem que o pé pise falso, sem que a sandália arrebente, sem que entre terra nos dedos.
POema belo, belo.

Beijos, querida!

Anônimo disse...

"É coisa de poeta navagar na contra-mão".

Poema bem construído.

Beijo.

Cássio Amaral

Unknown disse...

O poema esta no lugar errado... rs... rs... ele não é nem um pouco mediocre... rs..


parabéns

Anônimo disse...

Oi moça, perdoe a invasão, fui procurar um recado meu e vi o seu pro Felipe. Não resisti, vim aqui fuçar.
Ótimos poemas e textos, gostei mesmo.

Muito doídos...

Um abraço,
Karin

Felipsis Lüteris disse...

É toda essa tua autoridade que me destruiu aquela noite de vinho e palavras...

Creio em ti.

R.BRAGA HERCULANO disse...

Rodrigo Braga: Olá Luciane td bem?

Mais uma vez lhe dou meus parabéns pelos seus poemas!!!
Visceral como sempre, eu adorei um certo quê de melancolia e revolta feminina pondo lirismo e entranhas entrelaçadas para fora, dando para o espaço a liberdade de seu grito. Parabéns mesmo!!!

Bjs.

Braga.