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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

domingo, 23 de março de 2008

Poema para Ricardo Wagner.

EU ME TORNEI A MULHER QUE QUIS

As roupas pretas se sacodem no varal
das idéias,
pássaros de luto pelas horas desperdiçadas
passadas sob as unhas dos seus dedos
de flexível haste.
O cigarro aceso às 7h da manhã prova
que sobre mim ainda paira
alguma espécie de desastre...
estou
voluptuosa e perdida.
Posso carregar, na palma da mão, doenças venéreas capazes
de salvar
o mundo,
no entanto...
não tenho por onde fazer ecoar
o meu desejo.

Em qual cena monótona será
que pousam, celerados,
os seus pés incandescentes?

Um comentário:

Samantha Abreu disse...

Lindo esse poema, Lú.
de uma dor e melancolia ardidas...
mas, ao mesmo tempo, irmandada.
Gostoso de se ler.
Parabéns.

Um beijO!