A sensação que me ficou
foi a de ter mordido uma rosa de plástico e ainda assim
conservar o cabo
espremido por entre os dentes.
O que me restou foram os cacos
daquele relógio que partiu,
mas pouca diferença fez
a ausência das horas,
eu não estava mesmo feliz,
e ainda nunca, nunca estive.
O que me pareceu
foi como se tivesse apagado um cigarro na língua,
bem no meio da língua,
uma dor fina, uma atitude estúpida,
uma crescente admiração pela doença.
Os planos foram de aniquilar-me.
Contudo, a lua se abriu cheia
e me pediu que esperasse.
Sou apenas muito suscetível a paixões
para conseguir conservar-me
saudável, segura
ou sequer viva.
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Encho meu peito de fumaça
eu e minha estúpida
blusa azul de mangas afofadas...
eu tenho sorte
de ainda ser uma inocente e posar
inerte
sob essa janela,
paredes inventadas
pela microscópica biografia
de mais esse amor que lançou-se
fora das chances
à todas as chamas.
Não tenho motivos para ter culpa mas
eu sinto
como se a saudade fosse um novelo de lã
ao contrário,
válvula de escape que deixo aberta para dentro
do carro,
de modo que eu possa morrer, sufocada,
pensando
no quanto era cheio de significado
seu sorriso maroto
que cobria as nossas pernas da chuva.
2 comentários:
"Não tenho motivos para ter culpa mas
eu sinto
como se a saudade fosse um novelo de lã
ao contrário,
válvula de escape que deixo aberta para dentro
do carro,
de modo que eu possa morrer, sufocada,
pensando
no quanto era cheio de significado
seu sorriso maroto
que cobria as nossas pernas da chuva."
Olá Luciane, desculpas por demorar comentar seu blog, eu estive sem pc esses dias, mas assim q meu pc ficou bom de novo pensei logo em ver seu blog. Nossa, eu já imaginava que ia estar contido nesse seu blog poemas de qualidade como esse, o q copiei no comentário é a parte q mais gostei, seu modo profundo de utilizar as palavras, sem ser verborrágica nos faz ter mais visão do q se passa no poema e daí então a gente querer sempre ler mais. Parabéns eu quero ler mais poemas seus, bjs.
Rodrigo Braga.
gosto mesmo.
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