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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 31 de março de 2008

POEMA JÁ SEM MÁGOA.

Guarda esse amor como
se ele fosse
um souvenir do tempo,
um relógio parado na parede
a congelar esse momento
para ser tragado aos poucos
pela alma...
quem sabe talvez
até mesmo para sempre.

Pousa teus olhos adiante, na frente
de todo esse falso embate está o código
da sua nova liberdade;
acende essa luz e agradece,
porque estamos todos amando.
Feridos ou não
estamos todos deixando
esse rubro vinho escorrer pelas paredes.

Óh lenta carnificina da alma...

Deita e esquece mais essa
despedida. Há muito
ainda para ser desperto.
Rosas sem espinhos, frio nos desertos.

2 comentários:

Samantha Abreu disse...

vc falou bem, Lú.
Todo amor, deixando de ser, vira lembrancinha na estante.
Devíamos ter, para os términos, daqueles souvenirs que se entrega em casamentos.
"Lembrança do amor que existiu entre Samantha e Fulano, pelo período de xx/xx/xx a xx/xx/xx."
Hum?!
Sempre digo: tudo, no final, vale pela poesia.
A tua, a nossa, a dela.
Beijos!!!

poeta quebrado disse...

escreve um poema
gasta um sorriso
guarda um inseto bonito
- e dá um nome -
ou um último bombom.
uma flor de plástico encontrada no chão.
um cartaz colado em parede suja,
de rua.
um filme especial na gaveta de alguém querido. gravado.
acha pra mim.
um livro, não.
me dá uma conversa,
que seja.


vida, por favor.