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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Sem tortas de blueberry por perto. Nem tudo precisa mesmo ter uma explicação.

É absurdo. Pus meu celular aberto, bem na minha frente, com seu número aparecendo na tela. Não vou ligar. É só para que eu durma mais tranquila. Para que eu durma, um pouco mais. Tenho perdido aulas. Idealizado tardes que nunca aconteceram ou irão acontecer. Tenho andado no piloto automático.

Meus dedos do pé esquerdo doem tanto. Chega disso, moço, chega disso. Sinto tanta saudade. Seus cabelos tão pretinhos no meio dos meus dedinhos. Quanta polêmica. Como é que eu faço pra não chorar lembrando das mãos escuras prendendo com delicada fúria minha cintura? Chega disso, homem, chega disso. Sinto tanta raiva.

Mas você vai ver (frase típica de quem saiu perdendo). Mas ah, se vai. Sei que tem lama ainda escorrendo dos meus poros todos, mas não estou com você ainda pelo cheiro que eu exalo. Estou com você ainda pelo cheiro que ficou nas pedras do chão do meu quarto. Eu quase desisto, então penso em você sem saber o que falar diante de tudo que eu desisti de dizer. Chega disso, menino, chega disso. Eu sinto... muito.

3 comentários:

poeta quebrado disse...

e você, quem é?

Milena Magalhães disse...

Lu, talvez a dor exista para se transformar em palavras tão fortes!

Samantha Abreu disse...

e faríamos poesia como, né?!
porque não podemos apenas ser Anaïses por aí, Lú?!
Livres,
amor-livre, e simples.????
saco, viu?!
rs.

Um beijO!