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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Minha substituição para o amor.

Eu suponho que
nesse meu mundo de poemas falhos e de fome
exista ainda algum olhar
algum olhar que chore
por essa perda de inocência
constante, incômoda
enorme,
e por todos esses fios de relação que
sem um único nome
acabam deixando tantas impressões tatuadas
que não há como uma linha sequer do que diga
não carregar ou vir mergulhada
em um prato secreto de carne ou sangue.

Minha dor é delicada
feito um rifle apontado a cabeça de uma criança.
Ela nada ainda fez
mas a sua constante ameaça de loucura
é o que vai permitir que algum dia
minha "vaziez" seja puro
e inventivo massacre.

(09/11/2008)

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