Eu suponho que
nesse meu mundo de poemas falhos e de fome
exista ainda algum olhar
algum olhar que chore
por essa perda de inocência
constante, incômoda
enorme,
e por todos esses fios de relação que
sem um único nome
acabam deixando tantas impressões tatuadas
que não há como uma linha sequer do que diga
não carregar ou vir mergulhada
em um prato secreto de carne ou sangue.
Minha dor é delicada
feito um rifle apontado a cabeça de uma criança.
Ela nada ainda fez
mas a sua constante ameaça de loucura
é o que vai permitir que algum dia
minha "vaziez" seja puro
e inventivo massacre.
(09/11/2008)
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