
Estou ferida como um pássaro em franca queda.
Posso pouca coisa contra o vendo que me devora.
E me estimula.
Poderia ser a hora de deixar pra lá essas marcas,
esse momento de ver as árvores todas caindo, desesperadas.
Algumas certas sangrias tarde demais para me salvar do vampirismo onde me afeta.
Mas eu passei a escalar paredes feito aranhas,
e tudo o que eu puder arranhar se torna meu cúmplice.
Sempre ficam alguns pares de olhos rodando no ar
em volta da minha cabeça
e me perguntando quem é esse homem que tomba ao meu lado,
a cada dia da semana um anjo caído, mas apenas um deles,
se tornando parte intrínseca da queda.
Esse é o que gosta de apreciar minhas feridas,
mesmo tendo um ciúme escondido delas.
De algum modo ele queria ser o responsável por
todas essas fraturas mal impostas.
E ele me ensina a descobrir que os outros homens
não são inteiriços.
São partes modulares de uma estrutura emborrachada que
teimam em chamar de inconsciência.
Um lugar onde as águas se misturam aos óleos e
seus olhos de mentiras verossímeis me pertencem.
Um lugar onde posso descansar dessas feridas,
embora elas jamais cicatrizem.
Não tenho poros por onde eu me proteja.
Minha pele foi feita para carregar essa fome de
misturar desejo com arte,
violência com malícia, suavidade com indecência.
Não posso fugir das tatuagens que já são parte da carne
engolida
com a qual eu tanto me devoro
quanto me vendi.
5 comentários:
Me falta literatura e respaldo pra comentar, mas gosto das imagens que vc cria...
PS: eu roubei sua imagem de direitos autorais pra por no meu blog. I hope you dont mind. Bacci.
desço pra belos horizontes dia 23 se der certo. urrar poemas num bar sarau au au au
levo samba lelê cuca e saci dionísio eu no travesso atravessado além muito além aquela visão que me serve e me segue além os olhos de lince dos séculos que corroboram minha alma incandescente.
depois de brasília agora belo horizonte. levo meu último livro de poemas "sonnen", apenas cento e poucos exemplares agora .
se der e sê e ser falamos e bebemos e olhamos além o infinito do coração quente tal qual sol que canta nas nuvens que saem da minha janela caipira agora quando meu incenso sobe pela janela e corrijo provas.
braço de luz da luz do sol...
"Um lugar onde posso descansar dessas feridas,
embora elas jamais cicatrizem."
Quanto de nós existem nestes cibermundos, escondidos nesses labirintos intrincados?
Desculpa posta o "seu" fragmento do Notas do Subsolo sem avisar antes.
Seus textos são quase intimos...
Lu, volte, volte a escrever. O mundo precisa das suas palavras que jorram sangue!
Eu sinto saudade, sempre muita saudade!
Um beijo, moça linda!
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