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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Código e Conteúdo

Quando eu pensei em arriscar ser tua de novo, já era tarde demais.

É sempre tarde demais na vida daqueles que passam esperando, sentados em uma biblioteca, ou escondidos em livrarias, comprando volumes e mais volumes de Sylvia Plath, e se atolando de músicas depressivas.

Ao invés de lhe mandar poemas de Hilda Hilst, quem sabe uma progressiva no cabelo; ao invés de Florbela Espanca, grandes e firmes unhas vermelhas de porcelana (claro, porque quem escreve demais nunca tem as unhas naturalmente boas). Sim, no lugar de sentar e imaginar longas tardes ouvindo The Cure, This Empty flow, Siouxsie and the Banshees... levar um dvd qualquer pra sua casa e aparecer com uma blusa bem provocante. Filmes? Por que é que eu sempre insito em falar sobre filmes... Talvez "Mais velozes e furiosos"... deveriam ter sido os meus pensamentos...

Um comentário:

Kill Helena disse...

eu fico me perguntando: se ao invés de cultivar minha mente, tivesse cultivado minha imagem, teria sido tudo melhor?