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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sábado, 13 de novembro de 2010

Quem se candidata... (?)

Eu quero
uma continuidade de afeto
que cancele
esses espasmos de medo,
essa fatia perdida de concreto
e que me lance incerto
na busca de outras certezas

eu gostaria
que esse pensamento que vira e mexe
me vira e remexe
fosse um você que se materializasse,
visão em tom de pele branca e preto
e botas tardias,
esqueleto armado de aço e titânio
enquanto eu
metal líquido
me despeço.

Um comentário:

Halem Souza disse...

Ué. mas esse pensamento "a concretizar-se" que se busca no poeminha pode chegar a existir - em carne e osso - em algum ser humano?

Vai ser díficílimo achar candidatos...

Um abraço