Talvez mais um café? Sim, já estou fazendo. Tudo muito organizado agora, potinho para o pó, as colheres todas bonitas e limpas, a garrafa de café bem lustrada. Sirvo a xícara, e o vazio entra, disputando espaço com o cheiro do incenso. Mais um cigarro? Hum, até que ando fumando pouco. Mas vai, tudo bem, acendo. Será que ainda é muito cedo para cerveja? Almoço eu não quero, já fiz o lanche da manhã. Silêncio. Outras músicas? E aqueles cd's de antes, onde? Ah, ali. A droga do vazio ali, ainda persistente feito um raio de tempestade duvidosa. Uma névoa escura, mas cheia de industriosa permanência, porque o vazio nunca passa. Ele sempre me sobrevoa, como se fosse um homem que rejeito com asas. Seguindo cada passo a procura do amante. E nada encontra, a não ser a chama azul, torpe, gasosa, perplexa, com pouca coisa borbulhando em volta. Tudo menos intenso, e a tontura rotineira de sempre. Martelo batendo na juntazinha dos dedos, quebrando metacarpos, metatarsos, mas deixando intacto, o silêncio. Cheio de bebida alcóolica de ontem de anteontem de antesdeanteontem. Agulha enfiada por debaixo da pálpebra. Mas que não cega. O vazio cega. Ele é a falta, quando se quer apagar a luz do quarto. O que é a memória daquele dia no qual nao penso mais?
3 comentários:
se uma árvore cai no vazio do deserto, a quilômetros de de distância de qualquer ouvido, ela produzirá som?
é, de repente sou eu essa árvore caindo. vc tbm?
10 e 37, 2, 6 e 15, 17 e 45.
a cada vez q eu abro o blog, procurando isso por aqui.
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