Eu disse a alguém que estou cansada de escrever sempre pelas mesmas coisas, e que tudo que tanto tenho lido me influenciou ao ponto de querer tentar me enveredar para outros meios de dizer. Mas não consigo. A vontade de escrever só vem quando estou assim, como agora, com essa sensação de coisa oca prestes a explodir, e saudades que eu não entendo, tramando discórdias contra mim mesma dentro do peito.
Carnaval é época difícil pra mim, e hoje percebi através do perfil de um grande amigo, que Jim Morrison ainda tem razão sobre certos aspectos um tanto quanto obscuros da minha vida. E entendi: o carnaval pra mim é como seu navio de cristal, sim sim, da música The Crystal Ship. Milhares de garotas e milhares de tentações preenchendo seu convés. Quanto às "garotas" entendam a metáfora como bem quiserem, as tentações são terreno mesmo no qual gosto muito de andar nua. Desarmando os campos minados com todas as pontinhas dos meus pés, como se eu fosse inteira apenas aquele par apertado de pernas, caminhando no banheiro de uma casa alheia imaginária com medo de acordar alguém, ou sei lá, medo de eu mesma acordar. Além de tudo o que transpira. De novo. E de novo. Under the waves, in the blue of my oblivion...
Sabe, esse texto não é mesmo pra fazer muito sentido, inicialmente eu queria dizer apenas que ter perdido minha irmã num domingo de carnaval me parece até hoje grande injustiça, não porque eu algum dia tenha gostado de carnaval, porque eu não gosto e nunca gostei, mas talvez justamente por isso, afinal, já era uma época sempre tão terrível pra mim que de repente toda a tragédia ter acontecido nesse dia só fez por onde ainda mais piorar as coisas. Quem sabe se da noite para o dia eu me tornasse uma pessoa axé e fosse com tudo para uma micareta em salvador. Mas não. Eu preferi o baile de máscaras de um lugar sabiamente denominado de Mary in Hell e acho que deu pra salvar o que se podia em matéria de carnaval em belo horizonte. Obrigada aos meus amigos queridos que foram curtir essa comigo.
Eu sempre disse que não gosto de usar blog como desabafo, e essa talvez era a grande questão do anônimo, porque ele vivia implicando se seria mesmo ou não tudo o que eu escrevia pertencente à uma certa verdade, na verdade não sei, acho que o que ele realmente dizia tinha a ver com se isso era importante de fato pra mim ou não e qual a minha concepção. Bom, eu nunca soube responder, e apenas aceitei uma suposta contra-dança, mas de repente, quando ele responde, eu grosseiramente rasgo todos os verbos implícitos nas entre-linhas e detono com tudo numa sutileza de poema chamado carinhosamente de "enquanto isso na minha faixa de gaza". Affe. Bom, ao que tudo indica também esse alguém que eu não sei quem e peço pra talvez nunca mais saber, parece que ele já se adaptou ao meu humor de Bridget Jones versão Amy Winenhause, se é que é mesmo assim que se escreve.
Well, beijos para todos os que sobreviveram ao carnaval, beijo pra aquele mocinho que disse ter voltado pra BH na segunda porque achou Diamantina uma merda, beijo pra aquela que me contou ter folga dos três filhos somente em dias que ela não podia prever, e obrigada ao beijo de carinho que ela me deu na porta do bar, obrigada ao punk que arremessou as cadeiras, porque sem ele provavelmente eu teria ficado lúcida o suficiente pra ir embora mais cedo, e obrigada a todos os pagadores de long neck do bar rock and roll e obrigada aos garotos que imitam os Doors porque sem eles o final de semana teria tido menos cara de Crystal Ship. E obrigada ao mocinho que me mostrou que o Motorhead gravou uma música com o nome da minha irmã, Christine. E obrigada antecipado a atendente de bilheteria que com certeza vai trocar meu ingresso do Iron para um de arquibancada porque eu preciso demais de ir nesse show com meus colegas da Filosofia, porque afinal, turma unida é turma unida. Eu vou precisar dela.
E quem tem coragem de me ler aqui, que me perdoe o longo "texto" desabafo, e como diria o nosso lendário Cirilo, personagem ilustre da novelinha infantil década de 90 chamada Carrossel: "eu só quis dizer..."
Embarque nesse Carrossel.
Um comentário:
lu, não digo nada. Os hormônios estão impossiveis. Choro à toa. Mas sempre por boas razões, se é que vc me entende. Seu texto é uma boa razão. Lu, tô aqui.
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