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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Enquanto isso, na minha Faixa de Gaza.

Há uma cota secreta pra se falar em saudade?
algum limite aceitável

há talvez algum abuso de formas
de toques
de bocas
de delícias
de gostosas
com as quais se explorar minhas inconsciências
minhas repetições
minhas inconstâncias...

?

e não se pode falar dele
não se pode falar nele
tudo errado até o próximo passo
que é ainda sempre incerto
e o jogo onde entro
é tão pouco secreto
quanto as burrices que digo
e a inteligência que espero

será que há um limite
para se amar única e exclusivamente
em função de fazer
tentar passar o tédio???
estou mentindo.

será que no coração de uma fêmea
pulsa algo a mais que o sexo???

as amigas queriam saber se era pequeno, se havia magia ou se tive de fingir.

Eu disse apenas
tudo o que quero.
e as palavras escorreram
formando o nome daquela noite
do assoalho ao teto.
Decifrando-me ou não,
te devoro.

touché?

Um comentário:

R.BRAGA HERCULANO disse...

tudo errado até o próximo passo
que é ainda sempre incerto
e o jogo onde entro
é tão pouco secreto
quanto as burrices que digo
e a inteligência que espero

nossa... a divisão em q o ser do poema se encontra éincrivel. sem falar que até nos homens podem sentir o eu feminino nos versos que chegam até a alma através da carne, varando os ossos e coisa e tal. Mais uma vez estupenda!!!
Eu vi láhoje no orkut o scrap com seu link. Vc está certa! Nunca impeça a menina de falar! Nem de escrever hahaha..
Seu amigo daqui do RJ,

Rodrigo Braga