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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

sábado, 29 de dezembro de 2007

Esperando você voltar do posto de gasolina com seu box de carlton nas mãos, eu fumo o meu cigarro até fazer arder a garganta, e para escrever este texto deixo uma ponta acesa ficar presa na janela; um cigarro inteiro queimado e que não se fuma, como Winona Ryder no filme "Caindo na Real".
Amadureço as imagens em minha cabeça. Preciso escrever alguma coisa senão eu explodo; preciso ser mais do que eu sou, senão eu mesma me mordo. Mordo sim. Mas não pelo prazer de dar delírio à propria pele; mas sim, pela simbologia perfeita que tem a autodestruição. O ser humano mais consciente de sua existência sem dúvida alguma é o suicida. Ele tem a capacidade de admitir para todos e para si mesmo que vida nenhuma nesse mundo tem valor.

Vou encerrando o texto. Você já deve estar voltando com os seus cigarros. Suicidas sem coragem que somos, preferimos nos matar aos poucos. Sobretudo você, que ignora sua asma. Ontem você me perguntou sobre pessoas fortes. Que dia vamos começar a sermos uma?

Um comentário:

Bee Box disse...

reality bites, mon amour. mas não mata. será? mordi cada palavra sua, mas elas me morderam com mais força. slow like honey... o cigarro esquecido num cinzeiro abarrotado e imagens delirantes à minha volta. seremos fortes, nos matando aos poucos, retornando ainda com mais força. não existe vacina para os efeitos de tais mordidas. sorte a nossa...