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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Sem título

A água vai soprar trocadilhos
e contaminar segredos
e eu serei o vaso que molda
a tempestade
louca fragilidade de chuva
que cai sempre, mas cai em dúvida
Quantos milhões de litros de palavras
ainda restam
escondidas por entre as esponjas que beijam
nossas bocas carnudas?

Quero lavar minha fala,
minha prole, minha paz
Muito embora eu ainda saiba
do que um passado sujo é capaz.

Escaparei da tua sede?

2 comentários:

Bee Box disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bee Box disse...

Quantos milhões de litros de palavras ainda quero beber da tua fonte... Que ela seja insaciável. Como a minha sede.
*.*