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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Eu sei que blog não é confessionário. Mas eu não resisto.

Há meses não chove dentro do meu quarto.
Estou me acostumando
a este estado solitário de passista,
acho que tenho até talento pra coisa.
Sambo minhas agonias todas,
comemoro tudo com as sexys tristezas

vencerei ainda quantos carnavais...

No entanto, continuo fumando pra morrer de fome,
bebo pra apagar o vexame.
Vitória eu não sei o seu nome

não sei nem sequer o seu nome...

Óh, quanta tragédia passada e prevista.

(gravura de Aya Kato)

Um comentário:

Bee Box disse...

há meses que chove poesia no meu quarto. e eu quero vê-lo inundado. não salvarei livros, nem quaisquer pertences. me interessa mesmo é que essa poesia me afogue...