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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

domingo, 6 de janeiro de 2008

Para ler ouvindo Love Song do The Cure. Não discute, só faz isso.

Vamos evitar o silêncio imposto pelas horas
quero ignorar essa barata que sobrevoa
nosso apartamento de um quarto
muito embora eu ainda saiba
que terei de dividir a cama
com venenos, dúvidas e abelhas.
Abrir a caixa que queria contê-las
e soltar meus berros por um pouco mais de tempo
implorando
por um passado que volte
a ter a cor de veludo de uma pele ferida.

A noite ameniza
os erros que cometemos de dia.
Mas quem poderá esconder
a fome que sinto quando a Lua está à postos?

(gravura de Mike Worral)

Um comentário:

Bee Box disse...

Li ao sabor de um "love song" que não do cure, mas... de billie holiday... voz e trompete nas entrelinhas do silêncio das horas...

A noite não ameniza
os erros. Nem a fome, que eu não escondo. A Lua, a postos, é a única testemunha...