
Há tanta imunidade e leveza
soprando seu bafo quente em meus olhos,
mas eu não consigo
alcançar os calcanhares dessa fome que avança.
E como se eu quisesse
perseguir um rastro grosso de açúcar,
vejo que apenas eu mesma
compreendo o código com qual fui escrita.
Os rios e lágrimas,
festivais de incertezas, planos acreditados,
apostas feitas na profundeza,
cada momento exalando
sua enigmática pureza de início.
...nada disso
deveria ocorrer na minha presença.
Um dia eu voei aos altos.
Mas desde que meus cacos povoaram
a natureza crua do solo que me escondia
eu nunca mais
nunca mais
sorri com a mesma
sinceridade ou freqüência.
Posso guardar muitos saltos.
Mas quase todos eles
acabam vomitados
no fundo da latrina
de sua frágil vivência.
3 comentários:
Lu, foto e textos cada vez mais cortantes. A solidão criando tempestades de palavras, fumaças de agonia... lindo, lindo!
sua poesia sempre voraz. uma infinidade de metáforas tão intrigantes. e eu adoro isso.
ah, e essa foto? um nerd vomitando os próprios saltos na sua frágil vivência?
só para dizer que estive por aqui, afinal os meus sintomas persistem. tudo tão lindo...
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