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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008


Há tanta imunidade e leveza
soprando seu bafo quente em meus olhos,
mas eu não consigo
alcançar os calcanhares dessa fome que avança.
E como se eu quisesse
perseguir um rastro grosso de açúcar,
vejo que apenas eu mesma
compreendo o código com qual fui escrita.
Os rios e lágrimas,
festivais de incertezas, planos acreditados,
apostas feitas na profundeza,
cada momento exalando
sua enigmática pureza de início.

...nada disso
deveria ocorrer na minha presença.
Um dia eu voei aos altos.
Mas desde que meus cacos povoaram
a natureza crua do solo que me escondia
eu nunca mais
nunca mais
sorri com a mesma
sinceridade ou freqüência.

Posso guardar muitos saltos.
Mas quase todos eles
acabam vomitados
no fundo da latrina
de sua frágil vivência.

3 comentários:

Milena Magalhães disse...

Lu, foto e textos cada vez mais cortantes. A solidão criando tempestades de palavras, fumaças de agonia... lindo, lindo!

Bee Box disse...

sua poesia sempre voraz. uma infinidade de metáforas tão intrigantes. e eu adoro isso.
ah, e essa foto? um nerd vomitando os próprios saltos na sua frágil vivência?

. disse...

só para dizer que estive por aqui, afinal os meus sintomas persistem. tudo tão lindo...