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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ouvindo Azure Ray com uma vela acesa

Só eu sei
que gosto tem aquele amanhecer de mãos.
Discórdias à parte,
a semente foi lançada,
estou ao vento.
Arremessando borboletas
contra uma parede de aço.
A sonoridade daquele passo adiante
me fortalece
pés que pisam a fumaça fumegante
que escorre etérea dos braços dados
na imaginação, por conseguinte...
Cada tropeço
cada queda
sobre a neve que alivia
todas essas impurezas com seu silêncio.
Paraísos invisíveis. Indivisíveis.
Supostas razões
para o acaso virar certeza.

Não tenho mais olhos.
Meu corpo agora enxerga
apenas através de batimentos cardíacos.

(gravura de Sas Christian)

Um comentário:

Bee Box disse...

Sonoridade não somente nos passos. Ouvi sussurros chegarem etéreos como borboletas fumegantes, uma língua de chocolate escorrendo nos meus ouvidos... E na sonoridade de versos como "pés que pisam a fumaça fumegante
que escorre etérea dos braços dados
na imaginação". Um paraíso invisível, indivisível... indizível? Minha resposta está nos batimentos cardíacos.