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"Perderás de mim Todas as horas Porque só me tomarás A uma determinada hora. E talvez venhas Num instante de vazio E insipidez. Imagina-te o que perderás Eu que vivi no vermelho Porque poeta, e caminhei A chama dos caminhos Atravessei o sol Toquei o muro de dentro Dos amigos A boca nos sentimentos E fui tomada, ferida De malassombros, de gozo Morte, imagina-te" (Hilda Hilst - "Da Morte - odes mínimas")

domingo, 14 de dezembro de 2008

Sexta, dezembro, cinco pra seis.

Estou pedindo sua companhia por esta
bebedeira noturna
mais uma noite na rua
e quero seus olhos como semáforo
quero abraçar as velas desse edifício
construindo o que podemos chamar
por quase caminho,
e andar seminua enquanto você
abre outra caixa de ferraduras.
Mais uma garrafa acesa
e pouca coisa vai ficar pela estrada,
só mesmo o tanto que agora sei gostar
da tua aspereza
de menino macio de fala
e rígido de intenções.
Estou pedindo para que esta noite seja mais uma,
seja muito, muito bem crua
e que toda a conjuntura
da nossa resistência desmorone.

Eu já construí alguns castelos, eu confesso.
Mas minha maior especialidade
sempre foi mesmo apenas derrubá-los.

Rua
e corrente sanguínea abaixo.


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