Mais uma vez sentada aqui como se nada tivesse me acontecido, o enjôo ainda do excesso de sempre, noite anterior arrependida no fundo da garganta, e a proposta de tentar mudar, por todos os deuses, para que pelo menos as coisas ao meu redor voltem a ter a coragem de antes.
Porque parece tudo muito simples depois de estar só, e no entanto não é simples, exceto pela costumeira falta de afeto, exceto pelo afetado costume de nós todos de simular a inacapacidade de amar. Mas eu tive sua voz perto demais de mim para que eu hoje acredite ser possível a sua impossibilidade. Sim, mas eu também estou fugindo, desde sempre no começo desse ano. A forma com a qual todo o seu se tornou uma surpresa pra mim só fez com que eu arranjasse motivos para fugir mais ainda. Eu sei, eu sei.
Bastava certa forma de ser realmente sincera, e você jamais ia se sentir preso. Mas eu a amarrei no poste ali da Av. Antônio Carlos e fiquei, quem sabe até anteontem, e no meio do banho de lama acordei já com a ressaca da infelicidade provocada, pensando, pensando muito:
eu sinto muito.
Também não me parece que agora, ela seja mesmo capaz de amar.
5 comentários:
que perigo!
pronto, falei.
hehehehe.
"atóro perigón" - pra falar num linguajar bem biba.
Bastava certa forma de ser realmente sincera, e você jamais ia se sentir preso.
"- Gostaria de saber quem sou ou quem fui. E ser isso. Isso, e não essa convenção aceita por vocês, por mim, por todo mundo."
Hum... Hum?
Acho que esse meu texto é um dos mais sacanas de todos. Uma coisa bem assim, meio personagem, mas que come comigo no café da manhã de vez em quando.
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