para você ter agora
esses braços que soltam pólvora,
mas minha poesia
continua carne crua
e toda a conjuntura estúpida
de um dia ter lhe conquistado a confiança
hoje apenas me deixa insegura
de caminhar com os seios expostos
em meio ao teu território inimigo.
Mas pelo o que passo e vejo são apenas espantalhos
e pouca coisa realmente me conhece bruta.
Quando eu te lambia com vontade
os ombros e as costas, remexida
de cabelos revoltos em cima da armadura
mas de manhã amanhecia pequena
e com medo do suor que nos continha,
você, meu bem, você sorria.
Eu não queria acordar.
Tu beijavas
na mais doce vasta e imensa exatidão
a escuridão de tudo aquilo que apodrecia em meio às nossas frutas.
Eu, cereja dura e sem cabo
você, feito um esquecimento de meio-dia.
E eu... me rasgava inteira para não continuar aparecendo pequena.
Hoje foda-se. Blusa jogada fora
sou a um só tempo a esquiva e toda
a razão da fuga.
Consegue engolir com facilidade as minhas saias?
Baby pode tirar tuas escadas da chuva
enquanto eu limpo das janelas minhas calcinhas de avelã.
Eu já te esqueci
poesia idiota.
Meus sonhos continuam tendo
a palidez secreta de uma pequena morte.
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